quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A poem about the relevance of Quantum Physics to contemporaries relationships

There is a tiny and delicate limit
dictated by the constant of Planck
when Nature gets so completely lost
that breaks down and comes to a blank,

and a total ignorance makes it dumb
and  speechless: wave or particle?
It can’t  send any reasonable message
to cover the nakedness of this crackle.   

The same about us and even worse,
cause there is no Copenhagen Interpretation
that could help us to answer
that stubborn and awesome question

we keep asking ourselves irrevocably:
Do we love each other, or do we not?
Even the stars above us couldn’t unbind
the blindness of this merciless knot. 

So what shall we do? Maybe we must,
like this unconscious universe itself,
go ahead, evolving and expanding ourselves,
until there is none of me, of you, or anything else.

by Guilherme Preger

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A poem about a little kind of a Joker called Love

Confronting solitude
can be not so hard
if only you consider
love not a missing card.

Maybe the one you have just
forgotten on your sleeve:
you could have used it
but you prefered not to believe

you still had the chance.
But not for the risk you couldn’t tame,
as, like Amy Winehouse’s
Love is a losing game,

you knew you’d miss it anyway.
No! Love is completely available
for an undetermined move
anyone anytime can handle.

So in a mess of a solitude
imagine yourself a little gambler,
you  can’t have ever full hands
but remains this kind of a Joker

you must remember to put at stake
in a play no one couldn’t refrain
not because there is nothing to lose
but hard a necessity to gain.

by Guilherme Preger

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Poem about a Friday night doing less than nothing while waiting for a telephone call

it´s so clear
that i need a rest
even though to stir
would be the best.

oh only a possible rest,
a moment not to think,
so even a little remembrance
would make me shrink.

how could i distend
alongside a fresh bed
and wash all this stuff
that shits my head,

so that i could start something
again from a immaculate blank?
A bed with a mattress like a placid lagoon
i could plunge and slumber where Hope sank.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um homem

Ele virá não como um cavalo vem
tampouco uma cobra, sorrateira
e armada para o bote.
Ele virá como um homem
só, um homem simples, um homem
na medida exata de um homem.
Ele não estará acima do mal e do bem.
Este homem trará tão somente
um corpo com espessura de carne.
Um corpo que não tenha talvez uma história
nem explicações, mas palavras,
sons, ecos, gritos, ruídos e alardes,
ele não precisa de ouvidos para despejá-los,
mas que acolham seu silêncio,
este sim o ruído mal suportável. 
Ele não precisa de olhos que o admirem,
mas que reconheçam nesse corpo
a contida alegria em seu menor gesto.
Um homem e seu corpo,
talhado por aparelhos
e adestrado por batalhas,
ele aprendeu a não esmurrar os muros,
mas a contorná-los.
Há um encontro à espera deste homem,
ele não virá como um cavalo vem
tampouco um cão para ser domesticado,
ele virá como aquele que abandonou seu passado
e esqueceu seu futuro.

Teses sobre o desejo (11)

O desejo é o desejo do Outro. Esta genial fórmula lacaniana divide o desejo em duas partes: o desejo é desejo de desejo, desejo de desejar; e é um desejo de, do, Outro, um desejo outro. Nesta fórmula, portanto, está presente a divisão entre o Mesmo (o desejo do desejo) e o Outro (desejo do outro) que traduz o paradoxo do desejo que circula sobre si mesmo, num arco ou numa dobra, mas sem se fechar ou se completar.  Ora, a incompletude do desejo, seu não-fechamento, é precisamente aquilo que o faz se movimentar, que o impede de se estabilizar como o Mesmo.  Manter-se como o Mesmo é o ideal narcísico que, curiosamente, é também o ideal neurótico o que indica que a neurose é um caso especial do narcisismo, o que Freud, aliás, foi o primeiro a intuir. Ao fechar-se loucamente para a entrada, chegada, para a “penetração” do Outro, o neurótico apenas demonstra o apego à imagem idealizada de si próprio, vendo em qualquer alteridade uma potencial ameaça a sua tão prezada mesmidade.  

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Água-viva

Começa então um caminho,
ele se confunde com o passo
como escondida nos braços
está a promessa do abraço.

No início, só sensações,
estranha esta vertigem,
talvez não seja início
pois não se enxerga a origem.

Aonde quer que se vá
para o passo é só passagem
onde soa doce melodia
avisar não levar bagagem

além do mais difícil afeto,
frágil, mas na carne impresso.
Não seria solução
cortá-lo por falta de nexo.

Tampouco necessário
carregá-lo como um estigma.
Este afeto leva a gestos
que se inscrevem no ar sem enigma,  

porém insondáveis. Como linhas
coladas a uma superfície
e que se integrassem a ela
como a grama numa planície

mas moventes como a água-viva
é a água mais viva e ativa
e que arde, pois é ardência
ela, a chama mais incisiva.

Neste mover não mais se discerne
o que está dentro, o que está fora,
É pulsação, batimento,
um ritmo dizendo Agora!,

a vibração na atmosfera
que faz do ar sopro e alento,
e traz à corrente sanguínea
elétrico estremecimento.

Excede toda posse e senso,
seu sentido qual seria?
Menos andamento que onda,
menos história que alegria.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Here's where the story ends

Aqui a história termina,
e ali ela recomeça,
como num quebra-cabeça
onde faltasse uma peça
que não tivesse importância
pois melhor é desmontá-lo
para juntá-lo em mil arranjos,
polígono de mil lados.
Cada dia é um abalo
para o qual faltam asas de anjo
mas que equilibra no embalo.
O sol lá fora é um fardo,
mas não falha sua fagulha
e ainda dá bom bronzeado.
O olhar da moça é um dardo
mirado em suas certezas,
mal treme sobre o salto-agulha
e nunca leva estabaco.
A vida é o que se segura
como pedras diminutas
que formassem estranho ábaco.
Qual secreta matemática
evitaria o desenlace
certo, a previsível cena?
Não há conclusão tão trágica
que também não tenha graça,
não sua significação cômica,
mas a que no instante acena
com a oportunidade cósmica,
aquela que, num relâmpago,
se funde com o fundo do osso
e dá um sopro no estômago.
Este é o clarão que mais cega
para que a retina fique fina
e que distante distingua
o traço invisível da linha.
Linha de enrolado novelo
ou insólita novela.
Linha para apurado tato
que se desfia sem destino
pois o fio é a própria fibra
com que se arma uma tela.
E que delicada língua
soletraria  a sílaba
com que se desdobra o segredo?
Mesmo a deriva é um enredo
como uma intricada trama
de uma rede em que cada nó
fosse seu ponto central.
Perder-se enfim não é mal,
perder-se é um caminho só,
perder-se é saber quão difícil
seria precisar qual
seu término, o seu início.

Guilherme Preger